Para driblar as dificuldades do ensino remoto, uma jovem universitária resolveu dar aulas para a filha, de oito anos, e outras crianças do Assentamento Boágua. O acesso à internet no local é limitado

Legenda: Vilani, estudante de Pedagogia, ministra as aulas todas as tardes
Foto: Wandenberg Belem

A boa ação foi além. As aulas são ofertadas para a filha e para outras cinco crianças da comunidade. A jovem de 23 anos, que está no último semestre do curso de Pedagogia, conta que a iniciativa partiu ao ver a filha impossibilitada de prosseguir os estudos durante a pandemia.

“Pra quem tem aparelho celular ou computador com acesso à internet é bem mais fácil assistir as aulas remotas, mas para quem não tem esse acesso, fica prejudicado o aprendizado delas”, ressalta a jovem mãe que tem uma rotina bem “corrida”.

Além de cuidar da família e assumir os afazeres domésticos, ela atende meio expediente no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Banabuiú. “Ainda vendo dimdim e sorvetes. Me viro de toda maneira, vendo ainda sandálias e folheados”. 

Com o marido desempregado há um ano – fazendo apenas alguns trabalhos avulsos – , VIlani conta que a renda fixa da família não chega a um salário mínimo. Mas, mesmo entre todas essas atividades, encontra tempo para seguir seus próprios estudos.

 “Assisto as aulas nas segundas e terças-feiras. No momento como está remoto, estou fazendo a orientação de Trabalho de Conclusão de Curso, TCC. É difícil, puxado, corrido, mas graças a Deus, está dando certo”.

Superação 

As aulas começam diariamente às 13h. “Chego do trabalho nessa hora e as crianças já estão me esperando no alpendre”, relata. A rotina puxada não furta a vontade de fazer o bem às crianças, muitas delas, segundo Vilani, de famílias carentes e pais analfabetos.

Foto: Wandenberg Belem

“Algumas mães não tiveram a oportunidade que a gente tem hoje, de poder estudar. Vi também essa necessidade de dar um futuro melhor. Foi uma forma de poder está ajudando essas crianças. Eu percebo o interesse que eles têm em aprender, mas as mães por serem analfabetas não tinham como fazer esse acompanhamento pra essas crianças”.

A pequena Antônia Ravila de Oliveira Souza, filha de Vilani, aprova as aulas em casa.

“O aprendizado está sendo bom. Minha mãe está ensinando a todos nós, meus amigos, meus primos. Dá pra entender e acompanhar bem, o que ela tem passado pra gente, temos aprendido” conta a estudante.

As aulas no alpendre da casa, segundo a jovem universitária, seguirão até o retorno das aulas presenciais na Escola de Ensino Fundamental coronel Pergentino Ferreira, onde estudam todas as crianças da comunidade. “Eu faço esse trabalho voluntário porque vi essa necessidade. Mesmo com pouco, sou muito grata à Deus”, disse.

Vilani lembra, ainda, que as aulas são ofertadas com baixo número de crianças para evitar aglomerações.


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