Os municípios possuem Índice de Infestação Predial (IPP) entre 1% e 3,9%, faixa classificada pelo Ministério da Saúde como “alerta” para possível surto da doença causada pelo Aedes aegypti. O Sertão Central tem pior cenário.

Lixo descartado de forma inapropriada pode acumular água e virar ambiente de proliferação do mosquito Aedes
Legenda: Lixo descartado de forma inapropriada pode acumular água e virar ambiente de proliferação do mosquito Aedes
Foto: Bruno Gomes

Conforme o Ministério da Saúde, as cidades que apresentam o IIP inferior a 1% estão em condições satisfatórias, aquelas que têm números entre 1% e 3,9% – como é o caso de Quixadá, Choró, Ibicuitinga, Caririaçu, Quixeramobim, Araripe, Senador Sá e Mucambo – estão em situação de alerta e quando o IIP é superior a 4% a situação é de risco, pois há possibilidade de surto de dengue. Atualmente não há nenhuma cidade do Estado nesta classificação.

Alerta

O quadro mais agudo é o de Quixadá, com 2% dos imóveis com foco do mosquito. Segundo o IntegraSus, são 605 imóveis dentre os 38.586 elegíveis. A cidade é a segunda com maior número absoluto de imóveis com foco, ficando atrás apenas de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), que tem 677 dentro de um universo de 160.538, o que representa 0,8% do total.

Quixadá está situado no Sertão Central, região do Estado com metade das cidades na classificação “média”. Uma delas é Quixeramobim, a apenas 40 km de Quixadá, e que possui 1,2% dos imóveis com foco – terceiro maior índice empatado com Caririaçu e atrás apenas de Choró (1,9%) e Ibicuitinga (1,5%).

A reportagem do Sistema Verdes Mares perguntou à Secretaria Municipal de Saúde de Quixadá os motivos do alto número de imóveis com foco e se as visitas de rotina estão sendo realizadas pelos Agentes de Endemias. Questionou ainda quais ações serão realizadas para reduzir os números frente a aproximação do período chuvoso. A Pasta, no entanto, limitou-se a responder que “tem feito reuniões com os diversos setores para traçar novas estratégias e ferramentas de trabalho”. Disse ainda que discutirá em reunião “propostas sobre planos de trabalho que deverão ser executados de modo a combater o cenário que se apresenta”, informa.

Melhora

Apesar de oito cidades estarem na classificação de alerta, o cenário já foi pior. O Índice de Infestação Predial é monitorado por seis ciclos, um a cada dois meses. No ciclo de número 2, por exemplo, eram 72 cidades classificadas com risco médio e 17 com risco alto. O início do ano é o período que apresenta os piores índices devido ao volume pluviométrico da quadra chuvosa. Em 2021, a preocupação passa a ser redobrada com a crise sanitária causada pela Covid-19, a mais grave em um século.

Riscos

A presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Sayonara Moura Cidade, se mostra preocupada com a possibilidade de um surto de dengue concomitante à pandemia. “Não dá certo, neste momento, ter epidemia com dengue com pandemia com os casos crescendo. Temos muitas pessoas suscetíveis (a dengue), que não tiveram o tipo 2. Isso vai mudando o perfil epidemiológico. É uma dengue que complica muito e com leitos novamente lotados, teríamos um grave problema”.

Para evitar essa sobrecarga, Sayonara disse que o Cosems tem orientado os municípios a atualizarem os planos de contingência. “Estes contemplam ações e insumos que precisam para enfrentar o combate aos focos e, assim, os gestores colocam tudo em prática para não ter um surto de dengue. Estes planos são válidos por um ano e o Município precisa entregar agora em janeiro”, detalhou. Todo esse material é enviado ao Conselho Estadual de Saúde (CES). “Tudo que tem que fazer, tem que estar neste plano. Nisso, está a compra de repelentes para gestantes, larvicida, inseticida, EPIs para os agentes, filtro para usar nas máscaras durante os bloqueios”, completa Sayonara.


Fonte Diário do Nordeste

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