Apesar do susto, o transporte da água pelo Cinturão das Águas do Ceará (CAC) não será interrompido. Porém, o bombeamento em Salgueiro pode ser paralisado para evitar danos na estrutura

Legenda: Vazamento em um dos condutos da barragem de Jati
Foto: VC Repórter

Por volta das 16h de ontem, um alarme disparou, causando alvoroço em Jati. “A população ainda está assustada. Nunca tinha passado por isso”, conta o agricultor Emílio Novaes. Com medo, alguns moradores da área correram para regiões mais altas, temendo que um possível rompimento causasse inundação. “Era muita informação trocada. As pessoas não sabiam da dimensão”, completa.

O engenheiro civil Pétrus Eduardo, mestre em Recursos Hídricos pela Universidade Federal do Ceará, ressalta que em obras hídricas deve haver cuidados na execução e no projeto por, na possibilidade de ocorrer algum erro, colocar a população em risco ou em estado de alerta.

Por outro lado, observa que é difícil apontar as causas sem ter acesso ao laudo técnico e conhecer a estrutura atingida. “O laudo pode explicar se houve um erro no projeto, seja no dimensionamento da tubulação ou algum problema de execução”, pondera.

Em nota, o MDR ressalta que as equipes técnicas estão atuando para garantir os reparos necessários à estrutura. De acordo com avaliações de engenheiros, não há riscos à infraestrutura da barragem, nem a regiões do entorno. A Defesa Civil do Município também confirmou a integridade da estrutura. A comporta foi fechada na noite de ontem.

A ocorrência se deu um dia após o ministro Rogério Marinho abrir a comporta que libera água da barragem de Jati para o Cinturão das Águas do Ceará (CAC), ainda em fase de testes. Esta etapa, chamada “eixo emergencial”, de 53 Km, promete garantir a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza, sendo transportada pelo fluxo natural dos rios Salgado e Jaguaribe até o açude Castanhão.

Apesar do susto, o MDR garantiu que isso não afetará a operação do Cinturão. O conduto afetado é responsável pelo transporte da água do “Velho Chico” para o açude Atalho, etapa do Eixo Norte que levará o recurso hídrico aos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. “Deve parar o bombeamento em Salgueiro para não vir mais água para essa barragem. De qualquer maneira, se subir de nível, ela tem um vertedouro. Não se perde nada de água”, explicou o secretário de Recursos Hídricos do Estado, Francisco Teixeira.

Esta não é a primeira vez que o Pisf apresenta problemas em sua estrutura. Em fevereiro de 2016, a parede do canal deste mesmo Eixo Norte, em Cabrobó (PE) cedeu e a água represada para a teste vazou. Em junho de 2017 foi a vez do canal no município de Custódia (PE), se romper, liberando água no Rio Moxotó, sendo, dessa vez, parte do Eixo Leste.

Em 11 de agosto de 2018, em Salgueiro, houve outro canal rompido. Cinco dias depois, foi a vez dos engenheiros detectarem um vazamento na barragem de Negreiros (PE).

Já em abril deste ano, técnicos observaram um novo problema na barragem de Negreiros: uma passagem de água – percolação – pela fundação do Dique, que é um barramento auxiliar. Apesar disso, a Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH) descartou dano estrutural. Uma vistoria atestou a estabilidade, não havendo riscos à população e ao patrimônio.


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